A Associação

A Associação Psicanalítica de Porto Alegre, fundada em 17 de dezembro de 1989, nesta mesma cidade de Porto Alegre, tem como alvo permitir a formação de analistas, garantir a qualidade analítica dos seus membros que ela reconheça como analista, bem como sustentar a produção e a difusão do discurso psicanalítico em todas as situações que não comprometem as condições de sua enunciação - ou de seus efeitos.

Sua estrutura compreende o trabalho para a transmissão da psicanálise na pólis, conforme podemos ler na Ata de Fundação.

A teoria da formação do analista, permanecendo um cuidado explícito da Associação, ficam estabelecidos os princípios preliminares seguintes:

A peça-chave da formação do analista é a sua análise pessoal. Que neste quadro o pedido de formação não seja concebido como diferente de qualquer outro, garante aqui que ele seja interrogado pela experiência analítica. Isso implica que a análise possa ser dita "didática" só a posteriori. 

Também indispensável na formação do analista aparece a prática do controle, à condição que não se institua como lugar de conforto – às vezes mutuamente negociado – onde a produção ou a delegação de um domínio imaginário pouparia ao analista o encontro com o real da clínica, antes como lugar de análise das resistências (sempre do analista) ao exercício de sua função e de seu ato. 

Mas o exercício da psicanálise provém também de um estudo de produção psicanalítica desde a fundação da sua prática. Neste quadro, a referência da Associação é aos ensinos de S. Freud e J. Lacan. Também a formação de um analista é imprescindível do interesse pelas disciplinas todas que ocupam o campo da kultur – no sentido freudiano.

No acesso a um ensino psicanalítico, o sujeito deve ser ao mesmo tempo "informado e posto em causa" (Lacan) ... Por isso é que a transferência que sustenta uma instituição psicanalítica é uma transferência de trabalho. ... A transferência de trabalho que a Associação pretende sustentar excede os limites da sua consistência; ela pretende participar da transferência que anima o campo psicanalítico no país e no mundo.

A formação oferecida pela Associação aos seus membros e participantes não é um cursus, pois nada permite considerar acabada – mesmo além do término de sua análise – a formação de um analista, idéia esta de uma formação acabada, que só facilita a inserção da psicanálise num comércio cultural que desnatura o seu discurso.

De fato, desde que se entenda que a formação do analista é um efeito, aparece que ela não pode ser projetada nem do lado do sujeito que se candidataria, nem, e ainda menos, do lado de quem proporia um caminho certo.

A Associação se engaja a oferecer aos seus membros e participantes um quadro de possível formação. Mas a formação é permitida, nunca garantida, e nunca sancionada como acabada.

O Instituto APPOA vem responder à necessidade de criação de um espaço institucional que propicie inscrição formal ao estudo, ao exercício e à invenção de práticas dirigidas pelo discurso e pela ética analítica, mas que ainda não estão sustentadas pelas proposições da psicanálise strito sensu. A APPOA, através de suas atividades de ensino, promoção de eventos e da inserção de seus membros em diferentes espaços de expressão pública, notadamente a mídia televisiva e escrita, dá mostra do cuidado da Instituição, não só de promover a transmissão da psicanálise àqueles que se pretende formar, mas também de intervir positivamente em questões concernentes ao espaço público e a polis. 

Nesta concepção, o lugar da instituição funciona como um terceiro, encontrando nela um compartilhar com os pares, que faz função de castração simbólica. Essa condição de castração requer e pressupõe o exercício continuo da circulação da palavra e dos circuitos transferenciais que aí se agenciam. Pressupõe também a reinvenção, tão constante quanto possível, dos espaços instituídos na própria gerência e administração institucional.

É certo que estas condições não se estabelecem de uma vez para sempre; nem tampouco podem ser efetivas a qualquer momento. É preciso o tempo de construção de laços - tempo de permanência e de extensão imaginária da transferência - para que os atos possam ter inscrição simbólica e efeitos reais. Princípios que valem tanto para a prática clínica como para o engajamento institucional. O desafio constante é que a alienação à transferência não nos deixe totalmente adormecidos e surdos, presos à repetição do mesmo. A burocracia é um dos nomes desse adormecimento na lide institucional.

É como um desdobramento de nossa vivência institucional que está sendo criado o Instituto APPOA. Seu objetivo é reunir e dar sustentação a práticas de intervenção social fundamentadas na psicanálise, que já se realizam, e propiciar as condições para a invenção de novas articulações entre pesquisa, clínica e intervenção no campo analítico. 

Neste sentido, o Instituto será uma associação de pessoas interessadas em sustentar e constituir práticas orientadas pela ética psicanalítica, que assumam uma função política, ampliando os efeitos do discurso psicanalítico. Estas atividades estarão voltadas à produção de um tensionamento com outros discursos que organizam o laço social, exercitando a transmissão da ética psicanalítica no próprio contexto dos campos de intervenção. 

No estatuto do Instituto, que encontra-se na secretaria da APPOA a disposição de todos os interessados, estão previstas três formas de participação:

- Associado Membro: É todo aquele que seja associado do Instituto e, concomitantemente, associado membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre - APPOA, tendo direito à voz e voto nas deliberações do Instituto 

- Associado Participante: É aquele associado com interesse em fazer parte permanente do Instituto, interessando-se pelos objetivos sociais deste, na realização de projetos, não tendo direito à voz e voto nas deliberações do Instituto 

- Associado Participante por Projeto: É aquele associado com interesse em participar de projeto isolado, sendo associado de modo temporário. Ao fim do projeto ele será automaticamente desvinculado do INSTITUTO APPOA - CLÍNICA, INTERVENÇÃO E PESQUISA EM PSICANÁLISE sem qualquer ônus a ele imputado. Durante o período que for associado, não terá direito à voz e voto nas deliberações da entidade.

Os membros da APPOA que desejarem ingressar como membros no Instituto deverão manifestar seu interesse, o que poderá ocorrer apenas formalmente, através do preenchimento de um documento, ou através do agendamento de uma conversa com um dos integrantes da comissão que está se ocupando do processo inicial de sua constituição. Estas conversas terão a função de, ao mesmo tempo, analisar com os colegas interessados em participar do Instituto qual a melhor forma de construir sua inserção, e realizar um certo "mapeamento" de experiências e interesses que possa orientar a proposição de atividades de ensino, pesquisa ou relacionadas à construção de projetos de intervenção no laço social.

Atenciosamente, 
Secretaria do Instituto APPOA 

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