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Nossa “orelha” 

Política e Psicanálise: o Estrangeiro

Ligia Gomes Víctora nos fala a partir de um longo trabalho na clínica e da reflexão que este suscita em seu fazer analítico. Junte-se a isto um gosto pelas matemáticas e um talento para escrita. A partir daí, faz um passeio minucioso por teorias da lógica, da topologia, aliadas a conceitos lacanianos e freudianos. O percurso possibilita a compreensão, desde a articulação entre Topologia e Clínica Psicanalítica de temas complexos que auxiliam no trabalho clínico da atualidade. 

A questão que a autora coloca é a possibilidade de "migração" entre as três estruturas psíquicas da nosografia psicanalítica - Neurose, Psicose e Perversão, a partir da Topologia.

Ela ressalta que a Topologia não prioriza nem métrica nem proporções. Mas ocupa-se das deformações contínuas à passagem de uma figura a outra sem que estas percam a constância, assim como as estruturas clínicas que não se colocam como questão fechada, porém, se abrem a cortes e torções pela intervenção do analista. Este ato destaca a variável do lugar e posição que o analisando pode ocupar durante um percurso de análise.

Acompanhar o pensamento de Ligia leva à reflexão sobre questões indecidíveis na clínica que podem inviabilizar vidas. É aí que a Psicanálise, tendo como pano de fundo a Topologia, apresenta-se como saída para recolocar ficções paralisadas ou truncadas em movimento, assim como o girar da fita de Moebius.

Durante a leitura, percebe-se que a autora encaminha seu trabalho para a formalização da Psicanálise através das matemáticas.



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