236 julho/2014

Os 50 anos do Golpe Militar no Brasil


Temática

Memória, memoriais e o futuro dos que sonharam e dos que sonham com a democracia

Paulo Endo

Quando visitei o memorial da resistência em São Paulo pela primeira vez senti orgulho. Uma pequena e significativa edificação, anexa de outro orgulho dos paulistanos: a Estação Pinacoteca. Estrategicamente delimitado, tímido, entre a imponente Sala São Paulo, a importante Estação Pinacoteca, a pioneira Escola de Música do Estado de São Paulo e mais adiante, jádesde a Avenida Tiradentes, recebendo as emanações da Pinacoteca do Estado de São Paulo, da Estação da Luz, do Parque da Luz, do Museu de Arte Sacra e do Museu da Língua Portuguesa o memorial estava ali, acarinhado, acolhido pelo complexo cultural mais importante da cidade de São Paulo.

Tudo isso restaurava ao prédio do memorial de São Paulo o seu passado, durante o qual, entre 1940 e 1983, foi sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS) e o modificava. Ao mesmo tempo o livrava dos escombros e o arquivava, relançando-o àposteridade, reinscrevendo-o no tempo e na cidade.

Pequeno e ativo o nosso memorial nem de longe lembra os importantíssimos e bem instalados museus e memoriais da Polônia, da Argentina, do Chile, de Berlim e mesmo os memoriais menores e vigorosos, espalhados por cidades menores, como o memorial de Calama, no deserto do Atacama, ou o memorial de Sttuthof próximo a Gdansk. Ele épequeno, e pouco vistoso, mas énosso e parece estar bem e seguro entre patrimônios fundamentais e definitivos da cultura e da paisagem da cidade de São Paulo.

Uma vez, durante a exposição do Andy Warhol na Estação Pinacoteca, ao descer com meus filhos ainda pequenos, láestava o memorial com suas exposições, suas celas exageradamente limpas e reformadas e os fones de ouvido para escutar testemunhos coletados por militantes ainda vivos e ativos. Na sala, amparada por uma rosa vermelha, meus meninos escutavam atentos, um após o outro, os depoimentos gravados. Cediam ao testemunho àquilo que lhe confere existência: uma escuta atenta e interessada endereçada aos enigmas e àcompreensão que toda narrativa testemunhal enseja. Foi preciso apressá-los para partirmos, entretidos que estavam com as histórias que ali, ao pédo ouvido lhes eram contadas. Foi uma experiência boa, terna e importante para eles.

Depois, conversamos um pouco sobre a experiência e fizemos paralelos com a exposição de Andy Warhol. Traçamos aproximações com o interesse do FBI em investigar o artista. A arte bem ali delimitando e assumindo o risco em interpelar o próprio sentido do fazer e do ser da política enquanto, ao lado, a sustentação do lembrar e do esquecer da ação política lutava para restituir sentido ao tempo passado e ao tempo vindouro.

Dessa vez, levados pelas mãos de Andy Warhol atéum dos porões da ditadura civil-militar brasileira revelava aos meus filhos a amizade entre a arte e a memória; entre o belo e o terrível-como queria Rilke; entre a representação e o desaparecimento e assim, por obra das suas escutas, meus pequeninos realizavam a experiência da gênese do testemunho. O momento mesmo em que um testemunho passa a existir como sucedâneo da escuta implicada.

Pensei, com certa angústia, que sem esse pequeno pedaço de prisão restaurado e tombado como efeito da luta de alguns, não teríamos nenhum memorial, nenhuma inscrição física na cidade de São Paulo e a possibilidade desse nada, dessa negação e emudecimento era ruim e ruidosa. Então foi ocasião para alegria quando recebemos a notícia de que o prédio do antigo DOI-CODI, localizado na Rua Tutoia, número 921, no bairro do Paraíso (SP), fora tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, de São Paulo (Condephaat) em janeiro de 2014. O prédio foi sede do DOI-CODI e da operação Bandeirantes, símbolo da repressão na cidade de São Paulo e no pais. Lugar onde cerca de cinco milpessoas foram detidas e torturadas e cerca de cinquentaforam assassinadas.

Quando visitei o museu Auchwitz-Birkenau pela primeira vez em 2011, a sensação era de infinitude, largueza, amplidão do atroz que não tem começo nem fim, mas se aprofunda e se alarga atéinfinitos princípios. Blanchot jáhavia dito: a humanidade do homem não pode ser destruída e por isso os atentados contra ela não tem limites. O campo não termina nos crematórios semidestruídos pelos soldados da SS, que apavorados pela aproximação das tropas aliadas tentavam destruir a prova de atrocidades extremas cometidas nos campos, mas que não se pretendia, fossem responsabilizadas.

No campo a infinitude geométrica dos inúmeros barracões-retângulos construídos de modo simples e eficaz atesta a lógica perfeita da eficácia, pautada na invenção de equivalências e diferenças que tem por efeito as dicotomias levadas ao extremo. Aos bem capturados nas categorias inventadas pelo nacional socialismo alemão a condenação ao retorno aos princípios onde nada existe além de força bruta.

Secretamente sorri com a covardia perversa dos ‘destemidos’soldados da SS tentando atabalhoadamente destruir os crematórios. Imaginei, por um instante, o pavor dos soldados nazistas tropeçando em seus cadarços para evitar serem flagrados, fazendo o que faziam cotidianamente, e durante anos, com tanta ousadia e bravatas e sem nenhuma cerimônia.

A perversão dessa covardia oscilou entre a onipotência da ação da intrusão sem consequências sobre o corpo e o espírito alheio, e a recusa em expor esse ato cometido em condições de assimetria e desigualdade extremas. O feito poderia ser desfeito pelo apagamento e uma nova destruição das provas arquiváveis - pareciam pensar os SS diante da derrota iminente. Consequência disso éo suicídio do alto comando do partido após a constatação da derrota das tropas alemãs.

Diante do julgamento da comunidade e da cultura os membros do partido e os soldados da SS imaginaram poder esconder seis milhões de pessoas, corpos, histórias que pereceram em suas mãos. A mesma onipotência e covardia que existia enquanto se imaginavam vencedores perdurou quando se reconheceram perdedores.

O ato que realiza a atrocidade éo que se esconde da fundação da linguagem recusando-se a apresentar-se àcomunidade dos falantes, o que Freud tão engenhosamente nos legou ao revelar nas costas de toda lei o seu sucedâneo tabu. Nas costas daquilo que fala, o emudecimento e a impossibilidade da escuta; a impossibilidade da história. Do alto da lei, a ordem; do alto da ordem, o tabu. Retorno ao mesmo lugar e princípio da destruição e do estado de horda.

Caminhei atéa exaustão entre os barracões, os objetos e as sombras de Auschwitz acompanhado pelo som dos pedriscos que numerosos passos silentes de visitantes do mundo todo produziam. Ali, na cadência desse som repetitivo dos que vinham atrás e dos que iam àfrente, encontrei o lugar onde nenhum som épossível e onde a possibilidade do belo éseca e ridícula, tal como os arbustos quietos ao redor do campo, as árvores mais altas e infames e a grama de um verde vívido permanentemente refeita.

Toda a exaustiva explicação dos guias de Auschwitz logo se transmutou em ruído, em babel e, depois desaparecia abafada pelos sons da miríade de passos dos visitantes, cada qual em busca de sua história e de sua origem. Auschwitz não éo fim, mas onde tudo principia. O colapso inventado pelo estado de horda que ésóação e silêncio.

A alguns quilômetros dali, Birkenau éo além mundo, o silêncio infindo de vidas que se foram e de dores cujos gritos não se pode mais ouvir. O manto que se estende sobre Birkenau éescuro: o sem fim do silêncio e da palavra que jamais foi proferida. Os esqueletos de dezenas de barracões que ainda seriam construídos são os reveladores da vastidão do mundo sem mundo, do mal que não se esgota, nem teme, nem encontra termo no mundo dos homens. Ali se realiza a geometria da eficácia e o fim da humanidade do homem transformada em coisa, obstáculo e destroços.

Pensei na prisão de Chacabuco, no Chile, onde prisioneiros políticos do período Pinochet foram aprisionados no deserto do Atacama e ali, sozinhos, inventaram um telescópio artesanal para observar, escondidos, as estrelas do céu mais limpo do mundo. Lutar pelo mundo éprática de quem aspira a observar o universo. Em Birkenau, contudo, o céu éde impossíveis estrelas.

Dois barulhos fingiram semelhança: no meio do deserto, o pequeno memorial de Calama e o som das Mulheres de Calama, cavando com suas pás durante décadas o solo seco do Atacama, na busca de seus entes queridos desaparecidos restituíram lembranças sonoras. A pácontra a terra seca. Avizinhava-se desse, o som seco dos passos sobre os pedriscos das ruas de Birkenau. Ambos dizendo que precisamos seguir adiante, mas não poderemos fazê-lo abandonando nossos mortos e o sentido de seu desaparecimento.

Em visita ao Museu de Memória e Direitos Humanos em Santiago, no mesmo Chile do Atacama, não encontrei a terra vermelha do deserto, mas interiores envidraçados propondo uma espécie de busca obstinada pela transparência. Translucidez e transparência amarelada pela luz das lâmpadas-velas continuamente velando os mortos e desaparecidos da ditadura chilena. Luz das estrelas?

Seria preciso limpar o sangue vermelho que escorre para vermos o além da dor e da morte? Quase nas antípodas de uma resposta fácil, pusilânime, foi mesmo Artur Barrio, com as trouxas ensanguentadas largadas àbeira de um rio de Belo Horizonte e estufadas com sangue e restos de animais em 1970 a quem recorri. No período em que vigia a ditadura civil-militar brasileira a clara alusão aos massacres e atentados aos presos políticos no Brasil: sangue.

A mesma reflexão se aprofunda em 1978-1979, com seu livro de carne. Oito anos depois, ainda na vigência da ditadura, os crimes cometidos pelo estado ainda persistem impunes e omissos então, sónos restaria contar a sua história em livro - porém um livro de carne. Aos leitores, folhear um livro de carne éconstatar, após folheá-lo, as mãos manchadas de sangue: mais sangue.

Artur Barrio sugeria que a lucidez estápor trás da cortina de sangue. Não épossível ignorá-la e nem apagá-la, épreciso atravessá-la e vestir-se dela. Não háapreensão meramente intelectual do terrível, nem mero ultrapassamento.

O muro que se ergue com a inscrição dos trinta milnomes inscritos no Parque da Memória de Buenos Aires propõe certamente o mesmo de modo diferente: não podemos ultrapassar o que se constituiu em muralha. Mas àmedida que ladeamos a inscrição de todos os nomes e cada um deles reconhecemos que não se trata de uma muralha, mas impressões, inscrições, nomeações que perfazem um caminho. Não interrompem, conduzem. Não se interpõem, demarcam.

Sutilmente o muro alto torna-se mais baixo, ao alcance e, no final do caminho que ele sugere revela-se, como espelho, um muro quase da altura de quem o observa e, então podemos reconhecer: entre os trinta mil nomes ali inscritos e perfilados poderia estar grafado também o nosso. E então constato: a diferença entre os mortos e os vivos éque os vivos ainda podem prosseguir. O que faremos com essa possibilidade e com essa diferença?

Os muitos Mendez, Alarcons, Lopes, Alvarez perfilados. Famílias inteiras que se foram. Pais, irmãos e filhos. Madres, abuelas e hijos de mayo que impõe continuidade, demarcação, direção ao trabalho da memória, dos arquivos e do futuro. Precisamente aíéimpossível não lembrar da instalação dos arquitetos Kazimierz Latak e Piotr Lewicki numa das praças do gueto de Cracóvia. Cadeiras de ferro vazias esparramadas no espaço. Nos pontos de ônibus, ao redor da praça. Objeto de uso corriqueiro, convidativas a qualquer um e a todos, aludiam ao confinamento dos judeus poloneses nos campos e a uma fotografia em especial, que documentava as pessoas levando seus pertences. Nela uma menina judia carregava uma cadeira e, sobre ela, seus poucos pertences. A foto éreveladora de tudo o que virádepois e do destino dos que tiveram suas vidas comuns arrancadas àforça pelas baionetas.

Nas idas e vindas aos memoriais hámomentos de comunhão e congraçamento entre os vivos: centenas de visitantes, tradutores em muitas línguas, exposições e inaugurações celebradas, silêncio e pesar compartilhados. Hátambém o congraçamento com os mortos: longas caminhadas solitárias, ausência de placas, dizeres indicativos, ausência de palavras, legendas e gestos e o silêncio que se encerra nos sons dos próprios passos.

Na pequena estrada que conduz ao memorial de Stutthof, em Gdansk nos deparamos com uma bela casa burguesa. Nessa casa residem pessoas comuns e constatamos, com surpresa e perplexidade, que foi durante anos a residência de Max Pauly, comandante do campo de concentração de Stutthof. Ele e sua família se beneficiavam de residir a poucos metros do trabalho. Hoje a casa éocupada por cidadãos comuns e, estranhamente, não fora incorporada ao memorial de Stutthof.

Visitei, num dia frio e chuvoso, esse campo memorial em que foram exterminados milhares de pessoas. Diferente de Auschwitz, que recebe mais de um milhão e meio de visitantes por ano, não havia ninguém em Stutthof, salvo um casal simpático de poloneses que alugavam os headphones numa pequena edificação antes do portão de entrada do campo de concentração e extermínio.

No barracão precário de entrada do campo, onde os prisioneiros eram recebidos, háhoje obras de alguns artistas que deixaram suas pegadas e fazem companhia aos visitantes solitários. Entre eles háo trabalho da artista polonesa Wanda Swajda. Em seu trabalho exposto precariamente em Stutthof foram esculpidas centenas de batatas sob a forma de rostos. Depois foram aglomeradas, uma ao lado do outra, e finalmente emolduradas.

A alimentação mais comum nos campos (batatas) revelando rostos famintos, repletos de sombras que, àmedida que as batatas se desidratam, envelhecem, revelam rostos obscuros, repletos de sombras e dor. Esses rostos-batatas ainda estão lá, se desintegrando lentamente e um dia desaparecerão sob o efeito de sua degradação física. Sem água e nutrientes, arrancados da terra onde foram plantadas, amontoadas, indiscerníveis, mas semelhantes em sua lenta degradação.

Os rostos esculpidos foram minha única companhia e com eles entrei pelo portão principal do Campo de Stutthof. Nesse dia o vento frio vazava os barracões vazios e abertos aos visitantes, um pequeno crematório intacto ladeava o enorme monumento que conservava, em seu interior, as cinzas dos mortos no campo.

Tanto em Auschwitz, como em Stutthof ou no monumento aos trabalhadores caídos do estaleiro de Gdansk, monumento erguido em homenagem aos que lutaram contra o Estado durante a ocupação russa, nos princípios do movimento do que se tornaria o sindicato Solidariedade na Polônia, encontramos formas monumentais, altas, compactas e pesadas.

Não concordo com elas. Sua aparência ostentatória revela uma desatenção ao invisível e aos efeitos do aparecimento e do desaparecimento, do lembrado e do esquecido, do início e do fim.

Aquilo que se ergue alto, forte, pesado elide um silêncio conspícuo que toda catástrofe social e política exige. Esse silêncio que se instala diante dos extremos de uma dor que jamais alcançaremos, revela a marca de um pensamento vindouro e aguardado diante da aflição que toda destruição impõe ao futuro.

Antes de mim, contudo, jádisseram e manifestaram melhor os importantíssimos artistas do contra-monumento na Alemanha, destacados pelo pesquisador americano James Young: Jochen e Esther Gerz, Horst Hoeiesel e outros discutem o papel das obras monumentais para figurar as catástrofes sociais e políticas. Seus trabalhos operam estruturas gigantescas que desaparecem, são invertidas para depois deixarem apenas rastros, pegadas, sinais e indícios; e o que foi feito com elas revela-se como um análogo com o que foi feito com ou contra povos inteiros.

Para eles a iminência do desaparecimento não pode jamais ser alojado num passado imaginado monumentalmente como sendo sua justa representação, porém, éa dinâmica e a história das coisas enterradas e desaparecidas que perduram para serem compreendidas e reencontradas.

Contra o desaparecimento persiste o trabalho de preservação de tudo o que conduziu a ele. Não poderemos, talvez, restituir forma ao desaparecimento, porém com trabalho difícil e contínuo, revelaremos os mecanismos que o permite e o impõe, e as intenções que lhes servem de esteio. A maquinaria pesada capaz de impor dor e sofrimento a muitos écontinuamente defraudada pelo flagrante de sua lógica simplória que sustenta ações de larga escala, todavia seu princípio éa perversão da covardia e seu instrumento éo apagamento dos que pensaram contra, agiram contra, falaram contra e que, por sustentarem essa oposição inequívoca e liminar, jamais serão esquecidos. São aqueles cuja história as lutas pela memória buscam reconhecer e preservar.

No museu e memorial Haroldo Conti na ex-ESMA, centro da repressão durante a ditadura Argentina, somos recebidos logo na entrada por um Ford Falcon, veículo largamente utilizado pelas forças repressoras durante o regime militar no país. A intervenção de um grupo de artistas argentinos, contudo, pintou o automóvel de branco, cortou-o ao meio, separou todas as suas peças e o suspendeu a altura dos olhos, de modo que podemos passar no meio do esqueleto do veículo e enxergar cada uma das peças que o compõe e entender seu funcionamento.

Trabalho impactante que impele ao pensamento. O assustador Ford Falcon éuma engenhoca que pode ser desmontada e compreendida. Esse trabalho faz par, portanto, com o enorme painel no Parque da Memória em Buenos Aires onde se lê: ‘pensar es um hecho revolucionário.’

Para os memoriais a tarefa de lembrar os que se foram étarefa contínua, por suposto, porém, ela éacompanhada pela possibilidade de compreender os limites da resistência ao atroz e refazer a pergunta que nos conduz diante do impasse: àqual herança decidiremos pertencer? A cada visita ao memorial reencontramos a herança que nos compete e somos persuadidos a tornarmo-nos desejosos em revelá-la, promovê-la e capazes e dignos de lembrá-la.

Décadas se passaram após o golpe e a vigência do governo militar no Brasil. Ainda lutamos pela punição aos torturadores do passado e do presente, pela abertura definitiva dos arquivos militares, pela revisão da lei da anistia e pela busca dos desaparecidos políticos, muito ainda a ser feito.

Daquilo que se passou, contudo, éainda pelos mortos que queríamos vivos que seguimos adiante porque, de tudo, o mais importante legado étudo o que se revelou quando os governos totalitários se depararam com aqueles que se lhes opuseram. Sóassim vimos reveladas as verdades sobre nossos governos, sobre nosso país e sobre nós mesmos. Todos os memoriais tem entre suas tarefas capitais celebrar aqueles que ansiaram por ver estrelas enquanto a noite era escura. Todavia, se as virmos, saberemos segui-las?

Autor: Paulo Endo

 

Paulo Endo é psicanalista, Professor do Instituto de Psicologia e da Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da USP.É Membro do Laboratório de Pesquisa em Psicanálise, Arte e Política(LAPPAP) e do GT Psicanálise, Política e Cultura. É membro da Cátedra UNESCO/USP pela Educação para a paz, Direitos humanos, Democracia e Tolerância. Foi membro do Comitê Nacional de Combate à Tortura e à Violência Institucional(2011-2013) e perito sob as consequências psíquicas dos desaparecimentos forçados no caso da Guerrilha do Araguaia, sentenciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2010.





julho de 2014 - Correio APPOA