Dias 25 e 26 de abril, esteve trabalhando conosco na APPOA a psicanalista argentina Silvia Fendrik. Autora de livros sobre anorexia, entre eles “Viagem ao país do nuncacomer”, lançado em português pela editora Via Lettera. Também escreveu livros sobre a história da psicanálise de crianças, dos quais temos, do primeiro, uma versão em português, “A ficção das origens”, publicado pela editora Artes Médicas.
Na primeira noite, Silvia Fendrik nos apresentou algumas considerações a partir de seus estudos mais recentes sobre os manuais DSM, desde a sua origem, no pós-segunda guerra mundial, até o último DSM IV. Seguindo os passos da transformação deste manual, Fendrik nos leva a entrever a ideologia dominante que neles está subjacente, e que é transmissora de mensagens metafísicas e irracionais.
Salientou que a ampla utilização deste manual, principal ferramenta de diagnóstico (classificação/segregação) de nossos dias, utilizado por profissionais da área da saúde mental, torna necessário um estudo cauteloso da lógica desse discurso.
Como foi bem pontuado por Fendrik, conhecer a fundo esta “lógica” é o que pode nos permitir intervir desde uma outra posição. A habitual postura de oposição, do “não temos nada a ver com isso”, define apenas o lado oposto de um mesmo jogo.
Na segunda noite, Silvia Fendrik trabalhou alguns aspectos teórico-clínicos de seu longo percurso pela história da psicanálise de crianças. Retomou alguns dos aportes dos precursores neste campo, como Anna Freud, Melanie Klein, Donald Winnicot, Maud Manonni e Françoise Dolto, cujos aportes nos permitem responder questões cruciais quando se trata da análise de crianças: transferência, brincar, sintoma...
Ela nos lembra que, se na clínica com crianças se coloca em jogo uma “aposta” necessária e essencial por parte do analista, o que estes “analistas clássicos”, que fizeram história, nos ensinam é que não precisamos perder de vista as noções fundamentais da psicanálise (inconsciente, transferência, desejo, pulsão) para esta aposta.
Eda Tavares |