DATA: 30 de agosto, quarta-feira HORÁRIO: 18h45min. INSCRIÇÃO: R$ 10,00 LOCAL: sede da APPOA
Marie-José Richér-Lérès, psicanalista francesa que esteve junto com Maud Mannoni desde a fundação da École Experimental de Bonneuil-sur-Marne, – uma das instituições educativas mais vanguardistas da década de 70, projetada como um espaço alternativo à “loucura” – estará em Porto Alegre, no final do mês de agosto.
Fiel ao preceito de Mannoni de aceitar os riscos decorrentes do trajeto do Desejo, Marie, desde 1996 resolveu estender a experiência construída em Bonneuil criando o Jardin d’Enfants Thérapeutique de Saint-Denis (JET). O projeto, fruto da análise da realidade das instâncias públicas de saúde (Saúde Mental de Saint-Denis) e de educação (Educação Nacional) da região de Saint-Denis, tem como norte principal o acolhimento de crianças de 3 a 6 anos ameaçadas de exclusão social e cultural devido a dificuldades decorrentes de fracasso escolar. Um dos objetivos principais é acolher essas crianças e suas famílias antes que se cristalize um processo de exclusão de fato. Assim, o primeiro eixo de trabalho gira em torno das experiências possíveis para a criança e a família no tempo da escola infantil e o segundo, consiste em uma tentativa de analisar e restituir a função simbólica do lugar do professor. Os vetores deste trabalho são semelhantes aos de Bonneuil: a anti-segregação, a criação de um espaço de amparo próprio no meio sócio-cultural, o intenso destaque ao sentido da vida em sociedade e as conseqüentes descobertas e responsabilidades decorrentes disso.
O interessante é ver que algumas premissas experimentadas em Bonneuil são recriadas de forma inventiva e singular no J.E.T. As intervenções se baseiam na noção de um lugar de passagem, onde o privilégio é o espaço do “entremeio”, tão bem desenvolvido no conceito de “instituição éclatée”, de Maud Mannoni. Conforme diz Marie-José, “o J.E.T é um terceiro lugar, onde as crianças descobrem um tempo e um espaço diferentes de seu universo familiar e escolar, desvencilhando-se, deste modo, da política educativa baseada na prioridade às aptidões”.
Assim, no dia 30 de agosto teremos a oportunidade de escutar Marie-José falar das novas possibilidades que se criam para os sujeitos quando a psicanálise se propõe a escutar os interstícios do que constitui a transferência no laço educacional.
|