Notícias Detalhes  
Últimas Notícias
PROJETO INSTITUTO APPOA - CLÍNICA, PESQUISA E INTERVENÇÃO


Já há alguns anos, tem-se discutido na APPOA, a necessidade de criação de um espaço institucional que propicie a formalização (leia-se: estudo, exercício e legitimação) de práticas dirigidas pelo discurso e pela ética analítica, mas que ainda não estão sustentadas pelas proposições da psicanálise strito sensus. Enquanto Instituição voltada à formação de analistas, a APPOA visa, conforme sua ata de fundação, a “permitir a formação dos analistas e garantir a qualidade analítica dos seus membros que ela reconheça como analista”. Consta também em seus princípios e em seu estatuto o objetivo primeiro de “produção do discurso psicanalítico e a sua transmissão (...) sustentando e promovendo a posição da psicanálise na cultura brasileira e internacional” ou, conforme a redação da ata de fundação, “a difusão do discurso psicanalítico em todas as situações que não comprometem as condições de sua enunciação – ou de seus efeitos”. Que tais vocações institucionais se complementem não exclui a possibilidade de que ao contemplar os objetivos de formação não se esteja necessariamente cumprindo com a finalidade de difusão, transmissão e produção do discurso em sua extensão pública. Por isso, as atividades de ensino, a promoção de eventos e a inserção de seus membros em diferentes espaços de expressão pública (a mídia televisiva e escrita, por exemplo), dão mostras do cuidado da Instituição, através de seus membros, não só de promover a transmissão da psicanálise àqueles que se pretende formar, mas também de intervir positivamente em questões concernentes ao espaço público e a polis.

O modelo do analista clínico encerrado em seu consultório privado, e que mantém com a Instituição um laço de sustentação transferencial pautado pela manutenção da idealização de sua figura na posição do mestre, é bastante conhecido na história das Instituições analíticas. Certamente, essa espécie de figura fáustica compõe nosso imaginário constituindo-se como contraponto fantasmático do psicanalista que tem na Instituição o lugar terceiro, encontrando nessa um compartilhar com os pares que faz função de castração simbólica. Essa condição de castração requer e pressupõe o exercício continuo da circulação da palavra e dos circuitos transferenciais que aí se agenciam. Pressupõe também a reinvenção, tão constante quanto possível, dos espaços instituídos na própria gerência e administração institucional.

É certo, como sabemos, que estas condições não se estabelecem de uma vez para sempre; nem tampouco podem ser efetivas a qualquer momento. É preciso o tempo de construção de laços, tempo de permanência e de extensão imaginária da transferência, para que os atos possam ter consistência simbólica e efeitos reais. Princípios que valem tanto para a prática clínica como para o engajamento institucional. O desafio constante é que a alienação à transferência não nos deixe totalmente adormecidos e surdos, presos à repetição do mesmo. A burocracia é um dos nomes desse adormecimento na lide institucional.

Historicamente, a APPOA tem buscado modos de “despertar” – significante que marca o encontro com o Real, como sugerido por Lacan no Seminário XI -, sem com isso romper a sustentação da aposta institucional. Ou seja, a criação de novos modos de “saber-fazer” com o mal-estar sem precisar “desfazer” os laços que nos unem e que condizem com os princípios que regem nossa instituição.

Convidamos a todos os associados a participarem dessa discussão e da construção do que estamos definindo como “Projeto Instituto APPOA. Clínica, pesquisa e intervenção”. Essas reuniões têm sido agendadas a cada encontro a partir da disponibilidade dos participantes.

Coordenação do Cartel

voltar  
 
 
nitrodev.com