Data: 29/08/2010
notas da reunião de 15 de março de 2008, a partir da fala de Inajara AmaralInajara Amaral falou-nos sobre o refluxo nos bebês abordando o que a literatura médica aponta e interrogando sobre o que acontece do ponto de vista clínico-psicanalítico nestes casos. Sua hipótese é de que o refluxo tem antecedentes no laço da mãe com seu bebê, cujos efeitos se dão na constituição da imagem inconsciente do corpo da criança.
O Refluxo dos bebês nem sempre é tomado como patológico, bem como poucas vezes tem indicação de medicação - a qual traz efeitos colaterais importantes.Nos 3 primeiros meses, é esperado como "de passagem" (o primeiro tratamento é "a toalhinha no ombro").É entendido como patologia a partir do terceiro mês, segundo alguns autores, ou a partir do oitavo mês, de acordo a outros. Encontra-se literatura médica em que 1 ano de idade é a referência para determinar se há ou não patologia.
A literatura da fonoaudiologia, descreve as crianças com refluxo como tendo aumento na sensibilidade da região oral e da face. Os bebês têm alguns comportamentos defensivos (tosse, por ex). Na anatomia há desequilíbrio. Às vezes, o vômito pode ser provocado apenas pelo toque na boca. Problemas de deglutição podem aparecer secundariamente, assim como a recusa ao alimento.
Pneumonias de repetição trazem suspeita de refluxo.
Acálásia do esôfago - é a manifestação clínica que se traduz na dificuldade de deglutição, tosse e dificuldade para ganhar peso.
No laço dos bebês com refluxo e os pais ou cuidadores, o problema se dá pela dificuldade destes em suportar o choro (choro inerente) - que por vezes é medicado.
Uma interrogação: o refluxo pode ser resposta à verdade familiar vinda dos pais ao filho? "Tem alguma coisa estranha" - é a fala da mãe de uma pequena com refluxo.
Descritos como "bebês difíceis", têm associadas gastrites, dermatites atópicas, dietas alimentares à base de soja... a maioria são de mães primigestas, a gestação não planejada e angustiante.
As mães mostram-se excessivamente apegadas a seus bebês, a pulsão de morte presente, assim como têm elas mesmas um forte apego com suas próprias mães. Os dos extremos aparecem: o apego excessivo da mãe à avó e o apego excessivamente falho entre a mãe e a avó materna.
O mamá é por vezes empurrado, o não da criança é um problema... mas a dificuldade não deve aparecer. A mãe com freqüência tem sentimento persecutório.
Sabemos que o corpo do bebê é enunciado pelos pais. Hoje, a exigência é de rapidamente ultrapassarem-se as dificuldades.
Passamos a um caso - Tom, de 1 ano e 10 meses. Meses de medicação, gravidez de risco (repouso de 3 meses no início, pois não se ouviam os batimentos cardíacos). No nascimento, entra em sofrimento e é feita uma cesariana. Mama bem, de 2-2 horas. Chora muito. Ganha peso no primeiro trimestre, mas aos 6 meses pouco se alimenta. A mamada é intensificada, ele engorda.
Pelo risco de morte durante a gestação, há dificuldade no estabelecimento do ritmo presença-ausência. A mãe sempre presente reduz o espaço de simbolização da criança.
Se tomamos o modelo de Angela Vorcaro, do trançamento em seis movimentos para a constituição do sujeito psíquico, encontramos o primeiro laço, no terceiro movimento, como aquele em que o S (simbólico) recobre o I (imaginário). A constituição da imagem inconsciente do corpo, portanto, é afetada.
Autor(es): Marta Pedó
Olá visitante! Realize seu cadastro ou faça seu login no site da APPOA e participe do nosso espaço interativo!
Associação Psicanalítica de Porto Alegre