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A FICÇÃO NA PSICANÁLISE: FREUD, LACAN E OS ESCRITORES

Coordenação: Lucia Serrano Pereira
Sábado, 10h, mensal.


Seminário A ficção na psicanálise: Freud, Lacan e os escritores

Coordenação: Lucia Serrano Pereira


Tema:Meu Nome Também é Vermelho - instalação concebida
 a partir da leitura do livro Meu Nome é Vermelho, de Orhan Pamuk
ConvidadaElida Tessler

Dia: 22 de outubro (sábado)
Horário: 10h
Local: Sede da APPOA (Faria Santos, 258)
Coordenação: Lucia Serrano Pereira
Entrada Franca
 
Ouço a pergunta de vocês: o que é uma cor? A cor é o toque do olho, a música do surdo, a palavra que vem das trevas. Como tenho ouvido há dezenas de milhares de anos as almas sussurrarem, como o vento na noite de tempestade, de livro em livro, de objeto em objeto, posso lhes dizer que o meu toque se parece com o toque dos anjos. Uma parte minha, a parte séria, mobiliza a vossa visão, enquanto a parte brincalhona voa nas alturas, seguida por vossos olhares.
Orhan Pamuk
         Uma forma inusitada de “ler, reler ou desler” a obra Meu Nome é Vermelho, de Orhan Pamuk, é o que a artista plástica e professora do Instituto de Artes da UFRGS, Elida Tessler, sugere aos participantes desta edição do seminário “A ficção na psicanálise: Freud, Lacan e os escritores”. A instalação, concebida a partir desta obra, recebeu o nome de Meu Nome Também é Vermelho. Reúne um livro em sua forma original, um exemplar com intervenções em tinta para caligrafia na cor vermelha e 200 porta-retratos com moldura vermelha contendo fotografias. A exposição foi apresentada uma única vez em Madri (2009) e a sua documentação fotográfica poderá ser vista e comentada durante o seminário. A seguir, Elida destaca algumas questões sobre o trabalho realizado e a obra do Orhan Pamuk:
         “Meu nome também é vermelho tem como ponto de partida o romance de Orhan Pamuk, escritor turco que coloca em cena um ateliê de caligrafia e iluminuras do século XVI, momento em que a invenção da perspectiva na Itália abala todas as concepções islâmicas acerca de um ponto de vista único. Como ler um livro? Como ver uma obra de arte? Como aproximar palavra e imagem hoje, a exemplo do que acontecia de forma recorrente nos ateliês do Império Otomano? Estas são as principais questões para a construção do romance de Pamuk ao mesmo tempo que para a realização de uma proposição artística contemporânea. O trabalho foi realizado com tinta para caligrafia vermelha e cálamo de vidro italiano. São intervenções sobre o próprio livro mesmo, barrando com um traço diagonal letra a letra de todas as palavras, salvo aquelas que designam coisas vermelhas. Uma forma de ler, reler e desler um livro”.
         O seminário “A ficção na psicanálise: Freud, Lacan e os escritores” é uma realização da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA), sob a coordenação da psicanalista Lucia Serrano Pereira. 


  
Ensaio O que é o contemporâneo?, de Giorgio Agamben,
com a participação de Sonia Mara M. Ogiba
 
Dia: 24 de setembro (sábado)
Horário: 10h
Local: Sede da APPOA 
Entrada Franca
 
         O Seminário A ficção na psicanálise: Freud, Lacan e os escritores deste mês discute o ensaio O que é o contemporâneo?, do filósofo italiano Giorgio Agamben. Autor de vários livros,sua produção concentra-se nas relações entre a filosofia, a literatura, a poesia e, fundamentalmente, a política. Foi também o responsável pela edição italiana da obra de Walter Benjamin. Sonia Mara M.Ogibaantecipa algumas ideias sobre o ensaio do autor e seu pensamento:& nbsp;         
 
         “No ensaio O que é o contemporâneo?, Giorgio Agamben nos convoca a pensar a temporalidade do presente na figura do poeta, recorrendo ao poema, de 1923, intitulado O século – vek, do poeta russo Osip Mandelstam. Para Agamben, a poesia é esse movimento do olhar para trás operado no poema. Um olhar para o não-vivido no que é vivido, tal como a vida do contemporâneo. Define-se, portanto, por ser retorno, mas um retorno que é sempre adiamento, retenção e não nostalgia ou busca por uma origem... É um caminhar, mas não é um simples marchar para frente, é um passo suspenso. E, nesse passo suspenso, ver o escuro na luz, entrevendo um limiar inapreensível entre um ainda não e um não mais.Contempor&aci rc;neo, então, para Agamben é justamente aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente. Mas o que significa ‘ver as trevas’, ‘perceber o escuro’?
         Na confluência do poeta e do contemporâneo vemos emergir fraturas, cisões no tempo com as quais o sujeito, o poeta, tem que lidar. Essa parece ser a experiência singular que a leitura do ensaio O que é o contemporâneo? nos interpela a realizar.”
        
Observação: A resenha escrita por Sonia Mara M. Ogiba sobre o livro O que é o contemporâneo? e outros ensaios (Editora Argos), publicada no Correio APPOA (junho/2010), estará disponível na secretaria da APPOA.


Tema: Fernando Pessoa

Convidado: Enéas de Souza

Dia: 21 de maio (sábado)

Horário: 10h

Local: Sede da APPOA (Faria Santos, 258)

Coordenação: Lucia Serrano Pereira


Entrada Franca


Um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal, Fernando Pessoa abre a programação do Seminário “A ficção na psicanálise: Freud, Lacan e os escritores” de 2011. A seguir, o convidado desta edição, o psicanalista Enéas de Souza, adianta algumas abordagens sobre a obra do poeta:

“Fernando Pessoa é um marco na literatura mundial. E qual é a sua novidade na história do Ocidente? O que se pretende discutir, então, são as suas invenções poéticas, principalmente a constelação ficcional chamada de "heterônimos", onde predominam Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos,. E da qual faz parte o próprio Fernando Pessoa, como ortônimo. A inserção do escritor português é ampla e revolucionária, pois sendo um poeta com dimensões filosóficas acaba por incidir na história cultural como um pensador anti-filosófico, que junto com Nietzsche, Freud e Marx, dinamita a filosofia como sistema. Na base do seu "rebanho de ideias" está uma metodologia das sensações que começa com o princípio Sentir tudo de todas maneiras”.

Autor(es): Lucia Serrano Pereira



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